Engenharia que transforma vidas: trajetória de Luzana Brasileiro
Na série especial do CREA-PI, engenheira piauiense alia experiência em obras, gestão pública e docência e defende uma atuação mais humana e conectada à realidade
A engenheira civil Luzana Brasileiro reúne experiência no canteiro de obras, na gestão pública e na sala de aula. Na série especial de reportagens do CREA-PI sobre mulheres na engenharia, ela destaca como essa trajetória fortalece uma atuação com impacto social.
Com passagens pela iniciativa privada, execução e fiscalização de obras, serviço público e docência, sua carreira é marcada pela diversidade de áreas e pelo compromisso com a responsabilidade técnica.
Formada em 2007 pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com mestrado e doutorado na área de materiais, iniciou na fiscalização em um escritório terceirizado pela Caixa Econômica Federal. Depois, atuou na execução de projetos em estados como Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, com foco em planejamento e gestão.

“É no canteiro que entendemos, de fato, a engenharia.” Destaca.
Onde a engenharia encontra seu propósito
A vivência prática desenvolveu competências como liderança, tomada de decisão e adaptação. Mais do que executar, Luzana passou a enxergar a engenharia como responsabilidade.

“A obra não é só técnica. Ela impacta diretamente a vida das pessoas.”
No serviço público, acompanhando obras em Teresina, essa percepção se ampliou. Já na docência, iniciada em 2013, ela leva experiências reais para a formação de novos profissionais.
Os desafios de construir o futuro
Entre os principais desafios, Luzana destaca a necessidade de conciliar crescimento urbano com sustentabilidade e planejamento.
“Hoje não basta construir. É preciso pensar no impacto ao longo do tempo.”
Ela também aponta a resistência à adoção de metodologias mais modernas e a importância de investir em qualificação, bons projetos e tecnologias que evitem desperdícios.
“Uma obra bem planejada não é a mais barata na implantação, mas é a que traz mais eficiência, segurança e economia ao longo dos anos.”
Engenharia valorizada é sociedade protegida
A execução de obras sem acompanhamento técnico ainda é uma realidade que exige atenção. Para Luzana, o cenário envolve desafios como a ampliação da conscientização dos contratantes e a valorização da atuação profissional, reforçando a importância da fiscalização e da presença institucional.
“Muitos ainda enxergam o engenheiro como custo, quando ele representa segurança, qualidade e economia a longo prazo.”
Nesse contexto, ela destaca o papel estratégico do CREA-PI, não apenas na fiscalização, mas na proteção da sociedade e no fortalecimento da engenharia.

Quando o CREA-PI fiscaliza, ele garante que a sociedade receba serviços com responsabilidade técnica.”
luzana brasileiro, engenheira civil.
Além disso, o Conselho atua na orientação dos profissionais, na promoção de debates e na valorização da atuação técnica, fortalecendo a engenharia como atividade essencial para o desenvolvimento do estado.
Espaço conquistado, desafios persistentes
Apesar dos avanços, ainda há desafios para as mulheres, especialmente em ambientes de obra.
Muitas vezes precisei provar mais para ocupar espaços que deveriam ser reconhecidos pela competência.”
luzana brasileiro.
Hoje, ela defende maior presença feminina em cargos de liderança e o enfrentamento de preconceitos ainda existentes.

Entre a técnica e o humano
Engenheira civil formada pela Universidade Federal do Piauí desde 2007, com mestrado em Ciência dos Materiais (2013) e doutorado em Engenharia de Materiais (2018), atua na Prefeitura de Teresina, na Semplan, desde 2011. Desde 2013, também integra o corpo docente do curso de Engenharia Civil da UFPI.
Ao longo da trajetória, acumulou experiências na iniciativa privada, na execução e fiscalização de obras, na gestão pública e na docência, com foco na integração entre conhecimento técnico, responsabilidade social e formação de novos profissionais.
Mãe de Felipe e Rafael e esposa de Pablo, ela destaca que a vivência pessoal também contribui para uma visão mais humana da engenharia e da própria vida.